O chá é que paga

Na noite comprida e indecente,
disfarcei-me!
Em múmia neotérica que bebe
o evo trôpego na folia da veia,
e tropeça na sombra dum lampadário.

Bebi jactos de chá de hortelã
em jarros de paroxismo, sem respiro
até à brancura das trevas.
Manuseei o marasmo no horizonte enigmático
duma manhã mais que branca e maldita,
que desperta no umbral onde reside o corpo de delito.
Comi folhas de margaça-das-boticas.
Acordei numa cama branca
rodeado de anjos negros com sapatos de chumbo.

Fernando Oliveira

1 comentário:

ellen disse...

Tem um presente para si,
no meu Blog :)

Um abraço